Durante muito tempo, eu achei que “me amar” era me esforçar para caber nos moldes. Acreditava que amor próprio era usar preto para parecer menor, escolher roupas largas para disfarçar e sorrir nas fotos mesmo odiando estar nelas. Eu dizia que estava tudo bem, mas por dentro me escondia. Me escondia nas roupas, nos ângulos, nas comparações. E, sem perceber, me escondia da minha própria vida.
Foi só quando decidi parar de esconder meu corpo que comecei a entender, de verdade, o que é amor próprio.
No início, foi assustador. Usar um vestido justo, um cropped ou uma peça colorida parecia ousado demais. Eu me perguntava: “será que estou chamando atenção?”, “será que vão me julgar?”. A verdade? Sim, algumas pessoas julgam. Mas o mais importante: outras se inspiram. E eu me libertei.
Amar meu corpo não significa achá-lo perfeito
Uma das maiores lições que aprendi é que amor próprio não é sobre se achar linda o tempo todo, nem sobre negar as inseguranças. É sobre respeitar o corpo que tenho hoje. É sobre parar de esperar emagrecer alguns quilos para usar um biquíni, para sair dançando, para aparecer em uma foto com os amigos.
Primeiramente, quando deixei de esconder meu corpo, deixei também de esconder minha presença. Em segundo lugar, comecei a ocupar espaço, a falar mais alto, a andar de cabeça erguida. Por fim, entendi que a vergonha não era minha, e sim, era colocada em mim. E eu não precisava mais carregá-la.
A roupa como ferramenta para parar de esconder meu corpo
A moda, que antes era minha inimiga, se tornou aliada. Aprendi a usar roupas que revelam quem eu sou, que contam minha história, que fazem minha essência brilhar. E não, não precisei mudar meu corpo para isso, precisei mudar meu olhar. Quando me vesti com liberdade, me vi com mais carinho. Nessa época, eu parei de cobrir meus braços, comecei a abraçar minha força. Também usei a saia que tanto queria, olhei no espelho e disse: “é assim que eu sou, e tudo bem”. Foi um processo cheio de altos e baixos, mas entendo que todas as fases me trouxeram até aqui e foram importantes para meu autoconhecimento.
O amor próprio é um caminho, não um destino
Ainda existem dias difíceis. Mas hoje, eu os encaro com mais gentileza. Entendi que amor próprio não é linear. É uma escolha diária, feita com pequenos gestos: ao escolher um look que me faz feliz, ao falar comigo mesma com mais compaixão, ao não permitir que um padrão defina meu valor.
Parar de esconder meu corpo foi o primeiro passo para parar de esconder quem eu sou. E essa, talvez, seja a maior revolução da minha vida. Por isso, jamais me abandonarei!
Se você também está nesse caminho, saiba: seu corpo não é um erro. Ele é sua casa, sua história, seu templo. E merece ser vivido com orgulho, não com vergonha.






