autoestima

A pressão para conquistar tudo aos vinte e poucos

abril 17, 2017
A pressão para conquistar tudo aos vinte e poucos

Ainda não tenho meu próprio apartamento. Estou longe de começar a pensar em casar. Ter filhos então nem passa na minha mente por agora. Estou atrasada nas minhas duas faculdades, tive que trancar algumas matérias para conseguir conciliar emprego e aula. Não levo uma vida fitness. Mal consigo tempo para lanchar na parte da tarde e acabo comendo qualquer besteira que estiver ao meu alcance. Mesmo com apenas 22 anos, posso garantir que a pressão para conquistar tudo aos vinte e poucos e me afeta todos os dias.

Aparentemente o que aprendi com a vida nesses 22 anos é que ela funciona como uma lista de tarefas pré definidas para alcançar algo. Seria felicidade? Sucesso? Não sei dizer. Sei que essa lista já moldada pela sociedade é um saco. A sequencia de tópicos a ser seguida é irritante. Já formou na faculdade? Já tem um emprego estável? Você consegue poupar dinheiro? Arrumou um namorado(a)? E o casamento, quando sai? Vai querer ter filhos? Quantos? Me sinto eternamente pressionada a conquistar coisas que nem eu mesma sei se eu quero. Nem sei se me farão felizes.

Já pensou se ao invés desse questionário mega elaborado, as pessoas te perguntassem se você está feliz?

Um dia desses me peguei dividindo minhas tarefas diárias e confesso que deu vontade de voltar a ser criança. São 8:40h de trabalho em uma empresa no centro. Minha área? Sim! Amo de paixão o que eu faço. Porém, moro em uma casa relativamente longe do meu trabalho. São 1:30h pra ir e 1:30h para voltar. Sim, 3h dentro de uma lata de sardinha chamada Move. Somei essas 11:40h com mais 1h que eu levo para me arrumar para o meu dia, com minhas 4:00 de aula de marketing, com minhas 2h de produção de conteúdo para o blog, com pelo menos 1h para me dedicar à uma vida saudável, com mais 2h para socializar com família e amigos, com 8h de sono. Ao final, percebi que meu dia deveria ter, no mínimo, 29h.

A pressão para conquistar tudo aos vinte e poucos

Não há brecha para a felicidade de verdade. Para a cervejinha com os amigos, para colocar as séries em dia, para me curtir. Confesso que ri de nervoso para não chorar quando terminei de colocar na balança o tempo que estava me dedicando para buscar preencher as lacunas dessa lista e deixando de lado coisas que eu realmente gosto. Me senti completamente limitada dentro de um contexto que não é meu. Se eu vou formar? Não sei. Se tenho um emprego? Sim. Estável? Talvez. Consigo poupar dinheiro? Nem. Já arrumei um namorado? Aham. E o casamento? E os filhos? E a sua vida?

Mais textos aqui.

Dai pularemos direto para a conclusão que tirei depois de muito pensar sobre isso: não sou obrigada. Escolhi não seguir esse manual de como viver e fazer da minha vida o que eu realmente estiver com vontade. Isso significa ignorar o emprego e os boletos acumulando? Não. Mas significa levar todas essas tarefas de uma forma mais leve, mesclando com o que eu realmente gosto para que eu não entre em colapso e não deixe de lado o que realmente importa pra mim: a felicidade.

Precisei me desacelerar para perceber que para buscar o que eu realmente quero, não preciso preencher lacunas. Preciso apenas de me cuidar, de me permitir fazer coisas agradáveis, me dedicar à mim mesma e à quem eu amo. Não quero que essa seja uma nova fórmula de viver aos vinte e poucos. Quero apenas viver sem precisar me preocupar se estou vivendo certo ou errado. Até agora tudo está correndo bem, melhor do que antes. Deixo aqui registrado esse meu desabafo para garantir que continuarei sem manual de vida.

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8 Comentários

  • Reply Aninha Carvalho abril 17, 2017 at 1:55 pm

    Nossa, AnaLu, chocada. Já parei para fazer essa conta mil vezes e ela simplesmente não fecha, como a sua. Eu fico sempre procurando uma forma de pensar que vai ser diferente. Mas se eu seguir esse ritmo de fazer o que “tem que fazer” acho que nunca vou conseguir fechar essa conta das horas.

    Super me identifiquei com o que escreveu. E o pior é que é isso mesmo: pressão social. Quando meu irmão decidiu se casar com menos tempo de namoro que eu (quase 1/5 do que eu tenho), é que vi isso aumentar mais ainda. Tudo vira pressão. Estou no último período da faculdade, tenho que decidir se faço intercâmbio ou se fico no Brasil. Se faço isso ou aquilo e aquilo outro. Tudo são escolhas e se não ficarmos de olho, será como se as outras pessoas ou a própria vida decidisse como será por nós mesmos.

    Tô no seu barco. O melhor a fazer, realmente, é não ser obrigada a seguir esses padrões. Buscar a felicidade, por mais boba que ela pareça para os outros. Ela tem que ser a felicidade que queremos pra gente.

    • Ana Luiza Palhares
      Reply Ana Luiza Palhares abril 17, 2017 at 2:54 pm

      Não tá fácil,Xará! Mas estamos juntas nessa para desconstruir todo esse padrão “exigido” pelos outros, viu?! Obrigada por compartilhar com a gente um pedacinho da sua história.

  • Reply Simone abril 17, 2017 at 2:46 pm

    Passei por isso o bom de tudo é que aos 36 anos eu olho para trás e digo obrigado Simone por ter dado uma para à sociedade e ter vivido tudo à sua maneira.

    • Ana Luiza Palhares
      Reply Ana Luiza Palhares abril 17, 2017 at 2:53 pm

      Arrasou Simone! Continue assim, vivendo intensamente!

  • Reply Renata Arruda' abril 17, 2017 at 2:56 pm

    Ei Ana, adorei o seu texto. Realmente os vinte e poucos não são fáceis, passei por tudo isso que você está sentindo agora com um plus de ajudar uma pessoa que estava gravemente doente e precisava de mim. Não foi fácil, gostaria de ter tido a sua maturidade de entender que não, a gente não precisa ter tudo isso, a gente pode relaxar, pode errar, toda hora é hora de tomar decisões boas e ruins, é assim que a gente aprende, é assim que a vida segue.

    Hoje, já aos 30, tenho uma vida bem menos estressante, mas não menos emocionante. A diferença é que aos 30, mesmo diante de todas as cobranças, aprendi que em primeiro lugar vem a mim, em primeiro lugar os meus sentimentos, meus desejos, minhas aspirações.

    Você tem 22 poucos e uma sabedoria incrível de mulher que tem personalidade e que em meio aos turbilhões da vida aprende mais e mais e transforma tudo em coisas boas para você e para as pessoas a sua volta! Continua assim, arrasa, você pode tudo o quiser, mas faça com leveza, de um jeito que te faça bem, que alegre e aqueça o seu coração.

    • Ana Luiza Palhares
      Reply Ana Luiza Palhares abril 17, 2017 at 2:57 pm

      Nossa, Rê, que complicado. Acho que em todas as fases da vida sempre rola uma pressão, nós que temos que aprender a lidar com ela, né?! Obrigada por compartilhar com a gente um pedacinho da sua história.

  • Reply Lais Dias abril 17, 2017 at 8:36 pm

    Muito bom o seu texto Analu!
    Essa fase da nossa vida é osso! rsrs

    • Ana Luiza Palhares
      Reply Ana Luiza Palhares abril 17, 2017 at 9:18 pm

      Demais! Obrigada, lindona!

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